Eu lavo o meu pau

Homem não precisa entregar o cu pra ser veado. Eu saí do balcão do pub e fui dar uma mijada, aquelas cervejas estavam explodindo a minha já dilatada e condicionada bexiga. Aí passei por uma fila de mulheres que mais parecia uma ferrovia cheia de vagões padronizados, mas cada traseiro com uma carga diferente. Os mais rechonchudos  me assanhavam a apertá-los e perguntar quantos quilos de bacon estavam transportando. Os fininhos não me causavam reação alguma.

Cheguei ao mictório, coloquei o pau pra fora e despejei meu sedativo ali naquele recipiente de inox com um monte de outros mijos. Eu olhava para cima e orbitava em êxtase enquanto pensava em comprar mais e mais cana. Chacoalhei bem, na verdade eu girei meu cacete como um peão que tenta laçar um boi, respinguei nos outros bêbados que ali se aliviavam e eles nem deram bola, eu devia estar respingado também. Sai para o caminho das pias apertando o cinto e verificando se meu zíper não estava aberto, quando olhei pra frente aquelas safadas da fila já estavam me fuzilando com cara de: “quero seu pênis”.

Enquanto abria uma torneira que não saia água, um menino, é que me recuso a chamá-lo de homem, tentava nas outras. Ele queria muito lavar as mãos. Então eu pensei: “mas que desespero todo é esse?”. Ou o pau dele estava cuspindo gonorreia, caindo de lepra, e ele estava com nojo, ou o caboco era tão macho que tinha receio do próprio pau. Eu desisti de lavar minha mão de pau logo de cara, mas olhei pro cidadão com pena da sua aflição e aquele filho da puta virou pra mim desabafando: “vou ter que lavar a mão no baldinho de gelo”, finalizando com um sorrisinho amarelo. Eu percebi que as vadias daquela maldita Maria Fumaça de banheiro estavam reparando em nossos apuros, e aquilo era degradante demais para mim.  Então pousei minha mão sobre o ombro do marica e destilei toda a minha peculiar estupidez.

“Cara, você tá vendo isso aqui?”, questionei apontando para aquelas mulheres robotizadas. Ainda com meu dedo rígido dirigido à elas, continuei a palestra: “Isso daqui gosta mesmo é de cheiro de pinto, não lava a mão não. Pega a tua palma e dá mais uma passada no saco, elas curtem. Vá por mim, tem rostinho aqui que é mais sujo que o meu pau”. Despedi-me deixando ele constrangido e elas boquiabertas. As garotas ficaram putas, mas eu já estava acostumado a sair de casa para arrumar confusão com mulheres, eu já não tinha nenhum interesse amoroso por ninguém, nem por mim mesmo.

– Mark Holtz

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